Livros importados
Usado, em estoque. Com marcas de oxidação nos cortes das páginas. Sabe-se que o domínio neerlandês no Brasil constituiu o episódio central do conflito que opôs Portugal aos Países Baixos pelo controle do açúcar brasileiro, do tráfico negreiro de que este dependia e do comércio das especiarias asiáticas; e que a luta saldou-se, no balanço de C.R. Boxer, por uma vitória para os neerlandeses na Ásia, um empate na África ocidental e uma vitória para os portugueses no Brasil. Uma leitura estritamente militar do período holandês induz a crer que ele se encerrou em janeiro de 1654 com a capitulação do Recife, preso em tenaz pelo exército lusobrasileiro e pela terceira armada da Companhia Geral de Comércio. Na realidade, a rendição da campina do Taborda foi o desfecho brasileiro mas não o mundial, da pugna lusoneerlandesa. Longe de nós, a disputa prosseguiria seja sob a forma do bloqueio do Tejo por uma força naval dos Estados Gerais e da consequente guerra marítima de 1657-1661, seja da ofensiva da Companhia das Índias Orientais na Índia, seja enfim das negociações diplomáticas que levaram aos tratados de paz de 1661 e 1669, pelos quais os Países Baixos reconheceram a soberania portuguesa no Nordeste em troca de substanciais concessÕes financeiras e comerciais. Ao longo destes anos, a possibilidade de novo ataque ao Brasil constituiu preocupação constante da Coroa e dos seus representantes na terra e ainda em 1703, a aliança lusoangloneerlandesa dirigida contra Luís XIV teria de liquidar problemas remanescentes da ocupação batava. A primeira fronteira do Brasil não foi assim o Prata ou a Amazônia mas o Nordeste. Foi aí que nossa integridade territorial correu maior perigo. Por lamentável que tivesse sido, a perda do Rio Grande do Sul não teria comprometido a unidade nacional. como não o fez a independência do Uruguai, mas a consolidação do Brasil holandês teria estilhaçado a América portuguesa. - Trecho do prefácio
Editora: TOPBOOKS
Ano: 1998
ISBN: 9788586020766